MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
CENTRO DE EDUCAÇÃO
USO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO ESPECIAL
DEFICIÊNCIA FÍSICA
TUTORA: MIRIAN BECKER
ALUNA: JOANÉIA OLIVEIRA RIBAS
Boa Vista-RR
2010
Uso da Informática para alunos com Deficiência Física
O processo de inclusão de alunos com Necessidades Especiais Educacionais requer uma nova postura das escolas regulares frente a esses alunos. Pois o conceito de escola inclusiva, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial, implica em uma nova postura das escolas regulares, que devem propor no projeto político - pedagógico, no currículo, na metodologia, na avaliação e nas estratégias de ensino e ações que favoreçam a inclusão social e práticas educativas, que atenda a todos os alunos.
A deficiência física envolve o universo dos indivíduos que por várias causas e acometimentos, possui limitações tanto na apropriação das estimulações oferecidas pelo mundo quanto nas possibilidades de explorar as suas motivações e interesses, a deficiência motora tornou-se como bases as experiências e os estudos dirigidos para a evolução e o comportamento motor e psicomotor, derivando para as diversas deficiências motoras que podem vir atreladas a variadas patologias, mas para se falar sobre essa deficiência é necessário que se compreenda inicialmente o desenvolvimento motor.
Para possibilitar o acesso de alunos com deficiência física ou mobilidade reduzida, toda escola deve eliminar suas barreiras arquitetônicas e de comunicação, tendo ou não alunos com deficiência nela matriculados no momento (Leis nº. 7.853/89, 10.048 e 10.098/00, CF). Com isso para uma inclusão efetiva é necessário promover para os alunos recursos adaptados como: livros digitais, softwares para leitura, livros com caracteres ampliados. Com isso terão o acesso aos conteúdos curriculares.
O desenvolvimento motor é um longo processo que dura toda a vida e envolve todas as mudanças físicas, estabilizações, aquisições ou diminuições de habilidades motoras. O desenvolvimento motor da criança inclui o desenvolvimento categorizado das capacidades físicas e o desenvolvimento das habilidades motoras. As capacidades físicas são associadas à capacidade de realização de tarefas motoras e as habilidades motoras envolvem as categorias de movimento de locomoção, manipulação e estabilização, segundo a corrente americana e apoiada pelos autores, Gallahme e Azmun.
O documento Sala de Recursos Multifuncionais. Espaço de Atendimento Educacional Especializado publicado pelo Ministério de Educação afirma que:
A deficiência física se refere ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir grandes limitações físicas de grau e gravidade variáveis, segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida. (Brasil, 2006. P. 28).
Mediante a tudo que foi exposto é necessário que o professor conheça muito bem o seu aluno para poder desenvolver o plano de trabalho, pois há inúmeros materiais de apoio para atender as características dos alunos. Desde o ato mais simples como usar uma fita crepe para prender a folha de papel sempre que a criança não tiver controle de seus movimentos, até a utilização de recursos mais sofisticados, todos são investimentos válidos quando acreditamos na necessidade de promover a autonomia do aluno, evitando ao máximo que ele dependa de outras pessoas. Os recursos educacionais tecnológicos são de suma importância para o desenvolvimento do aluno com deficiência.
Pois sabemos que o computador facilita a vida das pessoas com necessidades educativas especiais, por exemplo, o computador utilizado como caderno eletrônico, para o indivíduo que não consegue escrever no caderno comum de papel, por outro lado, o computador é utilizado por meio de tecnologias assistidas, quando o objetivo final desejado é a utilização do próprio computador, para o que são necessárias determinadas ajudas técnicas que podem permitir ou facilitar a utilização desta tarefa, por exemplo: Adaptações de teclados, de mouses, softwares especiais, etc... (Inclusão-Revista da Educação Especial, 2005).
Acredito que o computador na atualidade é muito mais do que uma ferramenta, e um grande aliado quem tem como objetivo promover o acesso do aluno na inclusão digital auxiliando o aluno quanto sua aprendizagem. Um outro fator a ser observado é quanto à acessibilidade arquitetônica.
Acessibilidade significa poder chegar a algum lugar com segurança, conforto e independência; entender a organização e as relações espaciais que este lugar estabelece; e participar das atividades que ali ocorrem fazendo uso dos equipamentos disponíveis. Por exemplo, para um aluno com deficiência física ir até a biblioteca de sua escola deve ser possível chegar desde sua casa até a escola, através de percurso sem barreiras, com dimensões adequadas, travessias seguras e rampas nos passeios e na entrado do edifício, etc. Ao entrar na escola, deve ser possível identificar o caminho a seguir através da configuração espacial e/ou da informação adicional (mapa, letreiros) e novamente haver percurso acessível (rampa se a biblioteca for no segundo andar). Se o aluno possui deficiência visual deve poder obter informação através de mapas táteis e em Braille para encontrar sua rota com independência.(Inclusão: Revista da Educação Especial, 2005)
A inclusão na Rede Regular de Ensino requer algumas alterações na parte arquitetônica. Alguns alunos com deficiência física podem apresentar alterações importantes na postura sendo necessário algumas adequações, valem ressaltar que sempre que possível com orientação de um especialista da área. Com as ajudas técnicas e tecnológicas assistidas estão ampliadas pela orientar, a lei nº 10.098/00, que trata das normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, dispõe que o poder público promoverá a supressão de barreiras urbanísticas, arquitetônica, de transporte e de comunicação mediante ajudas técnicas procurando atender a educação inclusiva a partir da constituição de 1988. Citados pelo Ministério da educação 2006. Na regulamentação da lei, o art. 61 do decreto nº 5.296/04 definiu: “Consideram-se ajudas técnicas os projetos para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal, total ou assistida” (Alves, 2006-p.18).
Essa concepção a efetiva disposta na Constituição Federal de 1988, garante as pessoas com deficiência, o direito ao atendimento educacional especializado, o qual deve contemplar as ajudas técnicas e as tecnologias assistivas em salas de recursos ou salas multifuncionais. (Sala de recursos multifuncionais 2006 P.19)
Atendimento Especializado Para Alunos Com Deficiência Física:
- Orientar o professor da classe comum sobre estratégias que favoreçam autonomia e envolvimento do aluno em todas as atividades proposta ao grupo;
- Orientar também o professor quanto ao uso da metodologia da educação Física Adaptada;
- Operacionalizar as complementações curriculares específicas necessárias à educação com deficiência física no que se refere ao manejo de materiais adaptados e à escrita alternativa, (quanto necessário), às vivências de mobilidades e acesso a todos os espaços das escolas e atividades da vida diária, que envolvam a rotina escolar, dentre outras;
- Orientar os alunos para a adaptação ao uso de prótese, de membro superior ou inferior;
- Introduzir o aluno no aprendizado da informática acessível, identificando qual o melhor recurso em tecnologia assistiva que atende às suas necessidades, considerado a sua habilidade física e sensorial atual, é capacitá-lo para o uso independente do computador;
- Promover a inserção do recurso de tecnologias de informação e comunicação no espaço da sala de aula.
As ações educativas desenvolvidas para esses alunos devem sempre estimulá-los a apropriar e utilizar suas reais capacidades para conhecer o mundo através de suas interações com o meio que o cerca, proporcionando a esses alunos o desenvolvimento da totalidade de suas potencialidades. Quando a pessoa com deficiência e inserida na sociedade em que vive, passa a ser vista como pessoas extremamente capazes, precisando somente que respeitem o seu desenvolvimento.
Quanto às escolas, devem estar preparadas para receber os alunos especiais, pois os mesmos não podem mais esperar que a escola se prepare para recebê-los. Na pratica diária é que o professor saberá quais recursos beneficiam e atendem as reais necessidades dos alunos, podendo mudar a forma das praticas pedagógicas desde que favoreça uma maior aprendizagem.
A formação do professor de educação especial pode ser resumida em conhecer o aluno, ensinar na diversidade e ser um constante pesquisador. A sua evolução, dentre outras é criar na instituição a cultura da “educação para a convivência” buscando a quebra de barreiras arquitetônica, educacionais e atitudinais.
A pessoa com deficiência, é um ser capaz, precisando somente de oportunidade para desenvolver suas habilidades, seja no âmbito escolar, social ou profissional.
O educador precisa somente exercitar a capacidade de observação do aluno, para sentir quais são os limites e possibilidades individuais dos mesmos, estabelecendo uma relação mais próxima, para intermediar o processo ensino-aprendizagem. A pessoa com deficiência mesmo sofrendo preconceitos, cada dia mais vem conquistando seu espaço na sociedade, e mostrando que são capazes para se desenvolver e adquirir novos conhecimentos, necessitando somente de uma oportunidade. O professor precisa somente apoiar as realizações de suas atividades dentro de suas limitações, estimulando e encorajando o aluno, propiciando a aquisição de conhecimento.
RECURSOS DE ACESSIBILIDADE AO COMPUTADOR
Para alunos com deficiência física:
- eliminação de barreiras arquitetônicas para circulação do estudante permitindo o acesso aos espaços de uso coletivo;
-reserva de vagas em estacionamentos nas proximidades das unidades de serviços;
-construção de rampas com corrimãos ou colocação de elevadores, facilitando a circulação de cadeira de rodas;
-adaptação de portas e banheiros com espaço suficiente para permitir o acesso de cadeira de rodas;
-colocação de barras de apoio nas paredes dos banheiros;
-instalação de lavabos, bebedouros e telefones públicos em altura acessível aos usuários de cadeira rodas.
Estudo de Caso
De acordo com o relato da mãe de Ana (nome fictício) devido à doença ocasionou a deficiência, Ana é uma criança de sete anos, do ensino fundamental, de acordo com seu laudo médico possui paralisia cerebral de forma hemiplégica esquerda, é uma criança muito agitada principalmente quando é contrariada, como também carinhosa e alegre, como está iniciando na vida escola necessita de várias adaptações, pois não corresponde as atividades que lhe são propostas, pois tudo que é entregue a mesma coloca na boca, interagem muito bem com todos na escola. Não tem nem uma forma de comunicação. Recebe atendimento no AEE a mesma está sendo estimulado através de atividades recursos didáticas, pois é uma criança totalmente dependente, com o isso no atendimento educacional especializado tem como objetivo estimular a linguagem serão utilizados: através da pranchas de comunicação, jogos pedagógicos, músicas, jogos iterativos no computador através da tecnologia assistiva e outros...
Ana tem muita dificuldade de comunicação, muitas vezes sinalizar para identificar suas necessidades, quanto aos aspectos motores tem muita dificuldade, suas produções são permeadas de traçados desordenados sem utilização de nenhuma regra, ou seja, a sua coordenação motora também é comprometida.
Hoje a aluna é atendida no centro de educação especial recebe atendimento com: fonoaudiólogo, psicólogo, fisioterapeuta e terapia ocupacional.
Para resolver o problema da aluna Ana é necessário que os professores da sala comum em parceria com o professor do AEE procurem informações sobre as dificuldades e necessidades dessa aluna. Acredito que os objetivos da aprendizagem no caso Ana seja no sentido de desenvolver a independência e capacidade de adquirir conhecimento. O professor do AEE através de recursos pedagógicos e tecnológicos necessita realizar atividades que venha motivar e estimular a autonomia, atenção, percepção, memorização, coordenação, raciocínio, imaginação, criatividade, linguagem e interação social, como também com a utilização da prancha de comunicação ira minimizar a dificuldade de comunicação da aluna. Contribuindo para o processo de ensino e aprendizagem e uma inclusão educacional e social mais significativa.
Referências
-ALVES, Denise de Oliveira – Sala de recurso multifuncionais espaços para atendimento educacional especializada / Ministério da Educação – Sec. De Educação Especial – Brasília – 2006.
- BRASIL, Sabres e Práticas da Inclusão; Estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais, MEC, SEESP, Brasília 2003.
- BRASIL, Programa de educação inclusiva; Direito à diversidade, a fundamentação filosófica Vol. MEC, SEESP, Brasília 2004.
-DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. et al. Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com Surdez. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.
-INCLUSÃO: REVISTA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL. V. 1 (out. 2005). Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2005.
-MAZZOTTA, Marcos J.S. Educação Especial no Brasil; Histórias e Políticas Públicas 5 ed. São Paulo; Cortez 2005.
-SCHIRMER, Carolina R. et al. Atendimento Educacional Especializado: Deficiência Física. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.
